Arautos do Evangelho - Caieiras / SP

VÍDEO DA INAUGURAÇÃO
IGREJA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO
SEDE DOS ARAUTOS DO EVANGELHO

CAIEIRAS / SP

Missa e coroação da imagem em Araraquara-SP

DOMINGO - 16/05/2010
CIDADE DE ARARAQUARA / SP
IGREJA NOSSA SENHORA APARECIDA

A CONVITE DO PÁROCO
Pe. NELSON DA SILVA RAMOS, OS ARAUTOS DO EVANGELHO - SÃO CARLOS/ SP, FIZERAM PARTE DA CELEBRAÇÃO DA MISSA COM APRESENTAÇÃO MUSICAL E COROAÇÃO SOLENE DA IMAGEM DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA.





13 de Maio de 2010 - Cerimônia Catedral São Carlos Borromeu

Catedral de São Carlos Borromeu, por ocasião da festa de Nossa Senhora de Fátima, no dia 13 de maio de 2010

COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

ARAUTOS DO EVANGELHO - SÃO CARLOS/SP







Nossa Senhora de Fátima













A 13 de Maio de 1917, três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima.

Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos.

Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma 'Senhora mais brilhante que o sol', de cujas mãos pendia um terço branco.

A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. As crianças assim fizeram, e nos dias 13 de Junho, Julho, Setembro e Outubro, a Senhora voltou a aparecer-lhes e a falar-lhes, na Cova da Iria. A 19 de Agosto, a aparição deu-se no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque, no dia 13, as crianças tinham sido levadas pelo Administrador do Concelho, para Vila Nova de Ourém.

Na última aparição, a 13 de Outubro, estando presentes cerca de 70.000 pessoas, a Senhora disse-lhes que era a 'Senhora do Rosário' e que fizessem ali uma capela em Sua honra. Depois da aparição, todos os presentes observaram o milagre prometido às três crianças em Julho e Setembro: o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra.

Posteriormente, sendo Lúcia religiosa de Santa Doroteia, Nossa Senhora apareceu-lhe novamente em Espanha (10 de Dezembro de 1925 e 15 de Fevereiro de 1926, no Convento de Pontevedra, e na noite de 13/14 de Junho de 1929, no Convento de Tuy), pedindo a devoção dos cinco primeiros sábados (rezar o terço, meditar nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Sagrada Comunhão, em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria) e a Consagração da Rússia ao mesmo Imaculado Coração. Este pedido já Nossa Senhora o anunciara em 13 de Julho de 1917, na parte já revelada do chamado 'Segredo de Fátima'.

Anos mais tarde, a Ir. Lúcia conta ainda que, entre Abril e Outubro de 1916, tinha aparecido um Anjo aos três videntes, por três vezes, duas na Loca do Cabeço e outra junto ao poço do quintal da casa de Lúcia, convidando-os à oração e penitência.

Desde 1917, não mais cessaram de ir à Cova da Iria milhares e milhares de peregrinos de todo o mundo, primeiro nos dias 13 de cada mês, depois nos meses de férias de Verão e Inverno, e agora cada vez mais nos fins de semana e no dia-a-dia, num montante anual de quatro milhões.

O Senhor nos ajudará e Maria, sua Mãe, estará conosco

Queridos irmãos e irmãs, após o grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, a mim, um humilde e simples operário da Vinha do Senhor. Consola-me saber que Deus sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes. E antes de tudo, conto com vossas orações. Na alegria do Senhor
ressuscitado, confiantes em seu permanente auxílio, devemos seguir adiante. O Senhor
nos ajudará e Maria, sua Mãe, estará conosco."

(Palavras de Bento XVI ao dar a primeira bênção aos seus filhos de todo o orbe)

HABEMUS PAPAM!

Bento XVI sucede a João Paulo II na Cátedra de Pedro

"Meu real programa de governo é não fazer minha própria vontade, não seguir minhas próprias idéias, mas ouvir, junto com toda a Igreja, a palavra e a vontade do Senhor, para ser guiado por Ele, de modo que Ele mesmo guie a Igreja nesta hora de nossa História". Assim se exprimiu o Santo Padre Bento XVI na homilia da Missa inaugural de seu pontificado, na Praça de São Pedro.

José Messias Lins Brandão

Bastariam estas sábias palavras do novo Papa para mostrar o acerto dos Cardeais que o elegeram para Supremo Pastor do rebanho de Cristo.

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Como se comentou naqueles breves dias em que a Cátedra de Pedro permaneceu sem ocupante, os Cardeais ficaram impressionados pelo modo de o então Cardeal Ratzinger conduzir os assuntos eclesiásticos. E o Sacro Colégio soube ser rápido e vigilante, não deixando o timão da barca de Pedro sem piloto. Ainda ressoavam pelo orbe terrestre as palavras "morreu o Papa", quando passamos a ouvir os ecos da proclamação "Habemus Papam!"

No amor a Cristo está a força do Papa

A atitude do então Cardeal Ratzinger durante a Missa dos funerais de João Paulo II, no dia 8 de abril, causou uma primeira impressão favorável não só entre os Cardeais, mas também entre todos aqueles que o viram, ou presentes na Praça de São Pedro, ou colados às telas de televisão em todos os recantos da terra. Vislumbrava-se uma certa aura em torno dele, como vários comentaristas assinalaram na ocasião. Talvez fosse já um sopro do Espírito Santo para mostrar ao mundo quem seria o próximo Papa.

Especialmente notadas foram as palavras de sua homilia, na qual, referindo- se ao chamado de Cristo a João Paulo II, mostrou como, para ele, no cerne do Papado está uma renúncia radical e um amor sem limites a Cristo, cabeça da Igreja:

"‘Segue-me!' Em outubro de 1978, o Cardeal Wojtyla ouviu de novo a voz do Senhor. Renova-se o diálogo com Pedro, narrado no Evangelho desta celebração: ‘Simão, Filho de João, tu Me amas? Apascenta as minhas ovelhas!' À pergunta do Senhor: ‘Karol, tu Me amas?', o Arcebispo de Cracóvia respondeu do fundo do seu coração: ‘Senhor, tu sabes tudo, sabes que te amo'. O amor de Cristo foi a força dominante do nosso amado Santo Padre; quem o viu rezar, quem o ouviu pregar, bem o sabe. E assim, graças a este profundo enraizamento em Cristo, pôde carregar um peso que vai além das forças meramente humanas: ser pastor do rebanho de Cristo, da sua Igreja universal."

Devemos ter uma fé adulta

Entretanto, segundo grande parte dos analistas, o que parece ter decidido a eleição de Bento XVI foi sua homilia na Missa do dia 18, na abertura do Conclave, quando ele tratou com coragem e discernimento dos males que a Igreja tem de enfrentar em nosso tempo.

Comentando a carta de São Paulo aos Efésios, o então Cardeal Ratzinger afirmou ver "a maturação da fé e o conhecimento do Filho de Deus como condição e conteúdo da unidade no Corpo de Cristo".

No que consiste essa maturação da fé? Que jornada devemos encetar em direção à "maturidade de Cristo"? Devemos ser adultos na fé, foi a resposta do futuro Papa.

Não podemos permanecer menores de idade, tendo uma fé apenas infantil. E no que consiste ter uma fé infantil? - perguntou ele. E, tomando as palavras de São Paulo, respondeu que ter uma fé infantil significa "ser batidos pelas ondas e levados por qualquer vento de doutrina" (Ef 4,14).

"Uma descrição muito atual!" - exclamou Joseph Ratzinger.

Continuando sua penetrante e ponderada análise do grande problema de nossos dias, ele afirmou sem rodeios: "Quantos ventos de doutrina conhecemos nas últimas décadas, quantas correntes ideológicas, quantos caminhos de pensamento! O pequeno barco do pensamento de muitos cristãos tem sido com freqüência - batido por essas ondas - jogado de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, e até à libertinagem; do coletivismo ao radical individualismo; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo, e assim por diante. A cada dia surgem novas seitas, e o que São Paulo diz sobre o engano humano e a astúcia que procura seduzir o povo para o erro (cf. Ef 4,14) torna-se realidade".

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Ditadura do relativismo

Indo ainda mais a fundo no seu diagnóstico sobre os males de nosso tempo, Joseph Ratzinger apontou, quiçá, o supremo embuste do mundo presente: "Hoje em dia, ter uma fé baseada no Credo da Igreja é freqüentemente rotulado de fundamentalismo, ao passo que o relativismo, quer dizer, deixar- se levar para cá e para lá, e levar-se por qualquer vento de doutrina, parece ser a única atitude à altura dos tempos modernos".

E o futuro Papa denunciou então o grande perigo para a Igreja: "Estamos construindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e cujo último objetivo consiste unicamente no próprio ego e nos próprios desejos".

No fim de sua homilia, podia ele afirmar sem hesitação, e sem receio de ser contestado:

"Uma fé adulta não é uma fé que segue as tendências da moda e a última novidade; uma fé madura está profundamente enraizada na amizade com Cristo. Esta amizade é que nos abre para tudo o que é bom e nos dá um critério pelo qual podemos distinguir entre o verdadeiro e o falso, entre o engano e a verdade."

Um só rebanho e um só Pastor

Na primeira mensagem após sua eleição, ao fim da Missa do dia 20, na Capela Sistina, o Santo Padre Bento XVI mostrou como, desde que ficou público o súbito agravamento da saúde de João Paulo II, vivemos "um tempo extraordinário de graça", que podia-se observar na "onda de fé, de amor e de espiritual solidariedade, que teve o ponto mais alto nas suas solenes exéquias".

O novo Papa constatava, assim, essa alvissareira novidade que assinalamos em nosso Editorial: graças excepcionais derramadas em abundância sobre o mundo. E ele continuava a falar desse fenômeno, dizendo: "Os funerais de João Paulo II foram uma experiência verdadeiramente extraordinária na qual se sentiu de certa forma o poder de Deus que, através da sua Igreja, deseja formar, de todos os povos, uma grande família, mediante a força unificadora da Verdade e do Amor".

Expressando-se desse modo, Bento XVI estava indicando uma das tarefas que considera prioritárias para seu pontificado: conseguir refazer aquela união entre os cristãos que existiu um dia, trazendo para o rebanho da Igreja de Cristo todas as ovelhas que dela devem fazer parte.

Retomou ele o tema na homilia do dia 24, quando comentou o simbolismo do pallium, feito de lã de cordeiro. Lembrou a parábola da ovelha desgarrada, socorrida pela solicitude do pastor, que vai ao seu encalço mesmo à custa de muito sofrimento.

Bento XVI exprimiu seu desejo de seguir nas vias do Bom Pastor, pedindo- nos: "Rezem por mim, para que eu possa aprender a amar cada vez mais o Senhor. Rezem por mim, para que eu aprenda a amar esse rebanho cada vez mais, em outras palavras, vós, a Santa Igreja, cada um de vós e todos vós juntos. Rezem por mim para que eu não fuja de medo dos lobos".

Em seguida traçou em poucas palavras, com clareza, o programa de um ecumenismo autêntico e bem definido para seu pontificado, ao repetir com Jesus: "Tenho outras ovelhas que não são deste rebanho; devo também trazêlas, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor" (Jo 10,16).

Fazer resplandecer aos olhos do mundo a luz de Cristo

Muito comovido, na homilia da Missa de 20 de abril, Bento XVI referiu- se àquele episódio no qual Jesus constituiu o Papado: "Nestas horas penso de novo em tudo o que aconteceu na região de Cesaréia de Filipe, há dois mil anos. Parece que ouço as palavras de Pedro: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, e a solene afirmação do Senhor: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (...) dar-te-ei as chaves do Reino do Céu".

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Podemos medir o que ia na alma do Santo Padre, percorrendo suas vibrantes palavras na mesma homilia: "Tu és o Cristo! Tu és Pedro! Pareceme reviver a mesma cena evangélica; eu, Sucessor de Pedro, repito com estremecimento as palavras vibrantes do pescador da Galiléia e ouço novamente com íntima emoção a promessa tranqüilizante do divino Mestre. Se é enorme o peso da responsabilidade que recai sobre os meus pobres ombros, é certamente desmedido o poder divino com o qual posso contar".

E o Santo Padre, numa demonstração de inteira e serena consciência de sua missão universal, sabendo que os olhos de bilhões de pessoas no mundo inteiro se voltam agora para ele, expressou- se sem ambigüidade: "O Senhor quis-me para seu Vigário, quis-me pedra sobre a qual todos possam apoiarse com segurança. Peço-Lhe que auxilie a pobreza das minhas forças, para que eu seja corajoso e fiel Pastor do seu rebanho, sempre dócil às inspirações do seu Espírito".

O Papa Bento XVI tinha ainda frescas na memória as imagens daquela imponente manifestação quando da morte e dos funerais de João Paulo II, e recordou como "em volta dos seus despojos mortais, colocados na terra nua, reuniram- se os Chefes das Nações, pessoas de todas as camadas sociais, e sobretudo jovens, num inesquecível abraço de afeto e de admiração".

E sua conclusão - da qual todo católico participa de alma inteira -, em termos densos de esperança e de certeza na força da Santa Igreja Católica, foi expressa do seguinte modo: "Pareceu a muitos que aquela intensa participação, amplificada até os confins do planeta pelos meios de comunicação social, fosse como um pedido de ajuda dirigido ao Papa pela humanidade de hoje que, perturbada por incertezas e temores, se interroga sobre o seu futuro".

E eis que vemos o Santo Padre, como o Bom Pastor, disposto a sacrificar- se e a ajudar todas as suas ovelhas, desgarradas ou fiéis, de modo a que possam atravessar as borrascas que marcam o início do terceiro milênio. Ciente do que o mundo inteiro espera dele, e, mais do que tudo, do que Cristo espera dele, Bento XVI, na mesma Missa do dia 20, condensou em poucas linhas o cerne de seu programa:

"A Igreja de hoje deve reavivar em si mesma a consciência da tarefa de repropor ao mundo a voz d'Aquele que disse: Eu sou a luz do mundo. Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida. Ao empreender o seu ministério, o novo Papa sabe que a sua tarefa é fazer resplandecer aos olhos dos homens e das mulheres de hoje a luz de Cristo: não a sua própria, mas a verdadeira luz de Cristo".

Primeira Mensagem de Bento XVI

Iniciando sua sublime missão, o novo Papa enviou ao mundo sua primeira mensagem por ocasião da Missa concelebrada com os Cardeais que, na véspera, o haviam escolhido para o Sumo Pontificado.

A todos vós, graça e paz em abundância! Neste momento, convivem em meu espírito dois sentimentos contrastantes. De um lado, o de inadequação e de humana perturbação pela responsabilidade que ontem me foi confiada, enquanto Sucessor do Apóstolo Pedro nesta Sé de Roma, em relação à Igreja universal. De outro lado, sinto em mim uma profunda gratidão para com Deus que - como nos faz cantar a liturgia - não abandona seu rebanho, mas o conduz através dos tempos, sob a orientação daqueles que Ele mesmo elegeu como vigários do seu Filho e constituiu pastores.

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Caríssimos, este íntimo reconhecimento por um dom da divina misericórdia prevalece, apesar de tudo, no meu coração. E considero este fato como uma graça especial oferecida pelo meu venerado predecessor, João Paulo II. Parece-me sentir sua mão forte a apertar a minha; parece-me ver seus olhos sorridentes e ouvir suas palavras, dirigidas particularmente a mim neste momento: "Não tenhas medo!"

A força unificadora da Verdade e do Amor

A morte do Santo Padre João Paulo II e os dias que se lhe seguiram foram para a Igreja e para o mundo inteiro um tempo extraordinário de graça. A grande dor pelo seu falecimento e o sentimento de perda que deixou em todos foram atenuados pela ação de Cristo ressuscitado, que se manifestou durante tantos dias na onda de fé, amor e solidariedade espiritual, culminada nas suas exéquias solenes.

Podemos dizer que os funerais de João Paulo II constituíram uma experiência verdadeiramente extraordinária, na qual se percebeu, de algum modo, o poder de Deus que, por meio de sua Igreja, quer fazer de todos os povos uma grande família pela força unificadora da Verdade e do Amor (cf.Lumen gentium, 1). Na hora da morte, conformado ao seu Mestre e Senhor, João Paulo II coroou o seu longo e fecundo Pontificado, confirmando na fé o povo cristão, congregando-o em torno de si e fazendo sentir mais unida toda a família humana. Como não sentir- nos sustentados por esse testemunho? Como não perceber o encorajamento que vem desse acontecimento da graça?

Nessa pedra todos podem se apoiar com segurança

Surpreendendo todas as minhas previsões, a divina Providência, pelo voto dos venerados Padres Cardeais, chamou-me a suceder a este grande Papa. Recordo neste momento o que aconteceu na região de Cesaréia de Filipe, há dois mil anos. Parece-me ouvir as palavras de Pedro: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo", e a solene afirmação do Senhor: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (...) Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus" (Mt 16, 16-19).

Tu és o Cristo! Tu és Pedro! Parece- me reviver a própria cena evangélica. Eu, Sucessor de Pedro, repito com estremecimento as vibrantes palavras do pescador da Galiléia e ouço de novo, com íntima emoção, a promessa reconfortante do divino Mestre. Se é enorme o peso da responsabilidade posta sobre os meus ombros, é certamente desmedida a força divina com a qual posso contar: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja"

Escolhendo-me como Bispo de Roma, o Senhor quis fazer de mim seu Vigário, "pedra" sobre a qual todos podem se apoiar com segurança. Peço- lhe que supra a pobreza das minhas forças, para que eu seja Pastor fiel e corajoso do seu rebanho, sempre dócil às inspirações do seu Espírito.

Preparo-me para empreender este peculiar ministério, o ministério petrino a serviço da Igreja universal, com humilde abandono nas mãos da Providência de Deus. Em primeiro lugar, é a Cristo que renovo minha total e confiante adesão: "In Te, Domine, speravi; non confundar in aeternum!"

Comunhão colegial a serviço da unidade na Fé

A vós, Senhores Cardeais, com espírito agradecido pela confiança a mim demonstrada, peço que me sustenteis com a oração e com a constante, ativa e sábia colaboração. Peço também a todos os Irmãos no Episcopado que estejam a meu lado com a oração e com o conselho, para que possa ser verdadeiramente o Servus servorum Dei. Assim como Pedro e os outros Apóstolos constituíram por desejo do Senhor um único Colégio apostólico, do mesmo modo o Sucessor de Pedro e os Bispos, sucessores dos Apóstolos - segundo frisou com força o Concílio - devem estar estreitamente unidos entre si (cf.Lumen gentium, 22).

Esta comunhão colegial, apesar da diversidade de papéis e funções do Romano Pontífice e dos Bispos, está a serviço da Igreja e da unidade na fé, da qual depende em grande medida a eficácia da ação evangelizadora no mundo contemporâneo. Nesse caminho, portanto, sobre o qual avançaram os meus venerados Predecessores, também eu me proponho prosseguir, preocupado unicamente em proclamar ao mundo inteiro a presença viva de Cristo.

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Concílio Vaticano II

Tenho diante de mim, de forma particular, o testemunho do Papa João Paulo II. Ele deixa uma Igreja mais corajosa, mais livre, mais jovem. Uma Igreja que, segundo o seu ensinamento e exemplo, olha com serenidade para o passado e não tem medo do futuro.

Com o Grande Jubileu ela entrou no novo milênio trazendo nas mãos o Evangelho, aplicado no mundo atual através da releitura autorizada do II Concílio do Vaticano. Justamente o Papa João Paulo II indicou o Concílio como "bússola" pela qual orientar- se no vasto oceano do terceiro milênio (cf. Novo millennio ineunte, 57- 58). Também no seu testamento espiritual, ele anotava: "Estou convencido de que ainda por muito tempo será dado às novas gerações descobrir as riquezas que este Concílio do século XX nos deixou" (17/3/2000).

Também eu, ao assumir o serviço que é próprio do Sucessor de Pedro, quero afirmar com força a vontade decidida de prosseguir no compromisso da atuação do Concílio do Vaticano, sobre o trilho dos meus Predecessores e em fiel continuidade com a bimilenária tradição da Igreja.

Terá lugar neste ano o 40º aniversário da conclusão das sessões conciliares (8 de dezembro de 1965). Com o passar dos anos, os Documentos conciliares não perderam a sua atualidade; os seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas instâncias da Igreja e da atual sociedade globalizada.

Eucaristia, coração do novo pontificado

De maneira muito significativa, o meu Pontificado inicia-se quando a Igreja está vivendo o Ano especial dedicado à Eucaristia. Como não ver nessa coincidência providencial um elemento que deve caracterizar o ministério ao qual fui chamado? A Eucaristia, coração da vida cristã e fonte da missão evangelizadora da Igreja, não pode deixar de constituir o centro permanente e a fonte do serviço petrino que me foi confiado.

A Eucaristia torna constantemente presente o Cristo ressuscitado, que continua a dar-se a nós, chamandonos a participar na mesa do seu Corpo e do seu Sangue. Da plena comunhão com Ele nascem todos os outros elementos da vida da Igreja, em primeiro lugar a comunhão entre todos os fiéis, o compromisso de anunciar e de testemunhar o Evangelho, o ardor da caridade para com todos, especialmente os pobres e pequenos.

Neste ano, portanto, deverá ser celebrada com particular realce a Solenidade de Corpus Christi.

A Eucaristia estará, igualmente, no centro da Jornada Mundial da Juventude, no mês de agosto, em Colônia, e da Assembléia Ordinária do Sínodo dos Bispos, que se reunirá em outubro em torno do tema: "A Eucaristia, fonte e ápice da vida e da missão da Igreja".

Peço a todos intensificar nos próximos meses o amor e a devoção a Jesus Eucaristia, e exprimir de modo corajoso e claro a fé na presença real do Senhor, sobretudo mediante a solenidade e a correção das celebrações.

Peço-o de modo especial aos sacerdotes, nos quais penso neste momento com grande afeto. O Sacerdócio ministerial nasceu no Cenáculo, juntamente com a Eucaristia, como tantas vezes sublinhou o meu venerado Predecessor João Paulo II. "A vida sacerdotal deve ter a título especial uma ‘forma eucarística'", escreveu na sua última Carta de Quinta-Feira Santa (nº 1).

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Para este fim contribui, acima de tudo, a devota celebração quotidiana da santa Missa, centro da vida e da missão de cada sacerdote.

Alimentados e sustentados pela Eucaristia, os católicos não podem deixar de sentir-se estimulados a tender para aquela plena unidade que Cristo desejou ardentemente no Cenáculo. Deste supremo anelo do Divino Mestre, o Sucessor de Pedro sabe que deve encarregar- se de um modo muito particular. A ele foi, de fato, confiada a missão de confirmar os irmãos (cf. Lc 22, 32).

Pressuposto do progresso nas vias do ecumenismo

Com plena consciência, portanto - ao iniciar seu ministério na Igreja de Roma que Pedro regou com seu sangue - o novo Papa assume como compromisso primário o de trabalhar sem poupar energias para reconstituir a plena e visível unidade de todos os seguidores de Cristo.

Esta é sua ambição, este é seu rigoroso dever. Está ele consciente de que para isso não bastarão as manifestações de bons sentimentos. São necessários gestos concretos, gestos que penetrem nas almas e comovam as consciências, solicitando todos àquela conversão interior que é o pressuposto de qualquer progresso nas vias do ecumenismo.

O diálogo teológico é necessário, o aprofundamento das motivações históricas de escolhas acontecidas no passado é, contudo, indispensável. Mas o que urge é aquela "purificação da memória", tantas vezes evocada por João Paulo II, a única que poderá dispor os espíritos a acolher a plena verdade de Cristo.

É diante dele, supremo Juiz de cada ser vivo, que cada um de nós deve se colocar, na consciência de ter um dia de dar-Lhe contas de tudo aquilo que fez ou não fez em vista do grande bem da plena e visível unidade de todos os seus discípulos.

O atual Sucessor de Pedro deixase pessoalmente interpelar por esta questão e está disposto a fazer tudo o que estiver em seu poder para promover a causa fundamental do ecumenismo. Nos passos dos seus Predecessores, ele está plenamente determinado a cultivar qualquer iniciativa que possa parecer oportuna para promover os contactos e o encontro com os representantes das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais. A eles, também, envia nesta ocasião a mais cordial saudação em Cristo, único Senhor de todos.

Missão do Papa: fazer resplandecer a Luz de Cristo

Recordo neste momento a inesquecível experiência vivida por todos nós por ocasião da morte e das exéquias de João Paulo II.

Em torno dos seus restos mortais, depositados na terra nua, recolheramse chefes de Estados, pessoas de todos as classes sociais e especialmente os jovens, num inesquecível abraço de afeto e admiração. O mundo inteiro olhou para ele com confiança. Pareceu a muitos que aquela intensa participação, amplificada até os confins do planeta pelos meios de comunicação social, exprimia um pedido de ajuda dirigido ao Papa feito, pela humanidade hodierna que, perturbada por incertezas e temores, se interroga sobre o seu futuro.

A Igreja de hoje deve reavivar em si mesma a consciência da missão de propor ao mundo, novamente, a voz daquele que disse: "Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8,12). Ao assumir seu ministério, o novo Papa sabe que sua missão é a de fazer resplandecer diante dos homens e mulheres de hoje a luz de Cristo: não sua própria luz, mas a de Cristo.

Com esta consciência, dirijo-me a todos, mesmo aos que seguem outras religiões ou que simplesmente procuram uma resposta às perguntas fundamentais da existência e ainda não a encontraram. A todos me dirijo com simplicidade e afeto, para assegurar que a Igreja quer continuar a tecer com eles um diálogo aberto e sincero, à procura do verdadeiro bem do homem e da sociedade.

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Paz e desenvolvimento social

Peço a Deus a unidade e a paz para a família humana e declaro a disponibilidade de todos os católicos em cooperar para um autêntico desenvolvimento social, que respeite a dignidade de cada ser humano.

Não pouparemos esforços e dedicação para prosseguir o promissor diálogo começado pelos meus venerados Predecessores com as diversas civilizações, para que da compreensão recíproca nasçam as condições de um futuro melhor para todos.

Os jovens, porvir da Igreja e da humanidade

Penso em particular nos jovens. A eles, interlocutores privilegiados do Papa João Paulo II, vai o meu abraço afetuoso à espera de, se Deus quiser, encontrá-los em Colônia por ocasião da próxima Jornada Mundial da Juventude. Convosco - caros jovens, futuro e esperança da Igreja e da humanidade - continuarei a dialogar, auscultando vossas expectativas no intuito de vos ajudar a encontrar, numa profundidade cada vez maior, o Cristo vivo, o eternamente jovem.

Mane nobiscum, Domine! Fica conosco Senhor!

Esta invocação é o tema dominante da Carta Apostólica de João Paulo II para o Ano da Eucaristia e é a oração que brota espontaneamente do meu coração, enquanto me preparo para iniciar o ministério a que Cristo me chamou.

Como Pedro, também eu renovo- Lhe a promessa incondicional de fidelidade. Só a Ele pretendo servir, dedicando- me totalmente ao serviço da sua Igreja.

"Invoco a maternal intercessão de Maria"

Para sustentar esta promessa, invoco a maternal intercessão de Maria Santíssima, em cujas mãos ponho o presente e o futuro da minha pessoa e da Igreja. Intervenham com sua intercessão também os Santos Apóstolos Pedro e Paulo, e todos os Santos.

EXCERTOS DA HOMILIA NA MISSA "PRO ELIGENDO PONTIFICE"

Um Pastor segundo o coração de Cristo

Na Missa de abertura do Conclave, em 18 de abril, o Decano do Sacro Colégio pronunciou sua derradeira homilia na qualidade de Cardeal. Nela pediu ao Senhor com grande empenho "um Pastor segundo o seu coração, que nos leve ao conhecimento de Cristo, ao seu amor, à verdadeira alegria".

Nesta hora de grande responsabilidade, escutemos com particular atenção o que nos diz o Senhor com suas própriasimagem.JPG palavras.

A misericórdia não supõe a banalização do mal

A primeira leitura oferece um retrato profético da figura do Messias. Escutemos, com alegria, o anúncio do ano da misericórdia: a misericórdia divina põe um limite ao mal - disse-nos o Santo Padre.

A misericórdia de Cristo não é uma graça que se pode comprar por baixo preço, não supõe a banalização do mal. Cristo carrega no seu Corpo e na sua Alma todo o peso do mal, toda a sua força destruidora. Ele queima e transforma o mal no sofrimento, no fogo do seu amor sofredor.

A ditadura do relativismo

Não devemos permanecer crianças na fé, em estado de minoridade. E em que consiste ser crianças na fé? Responde São Paulo: significa ser "batidos pelas ondas e levados ao sabor de qualquer vento de doutrina..." (Ef 4, 14).

Uma descrição muito atual!

Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantos modos de pensamento!... A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi não raro, agitada por essas ondas, lançada dum extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até o ponto de chegar à libertinagem; do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo, e por aí adiante.

Todos os dias nascem novas seitas e cumpre-se assim o que São Paulo disse sobre o engano dos homens, sobre a astúcia que tende a induzir ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é freqüentemente catalogado como fundamentalismo, ao passo que o relativismo - isto é, o deixar-se levar "ao sabor de qualquer vento de doutrina" - aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que usa como critério último apenas o próprio "eu" e os seus apetites.

Não é "adulta" uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é antes uma fé profundamente enraizada na amizade com Cristo. É esta amizade que se abre a tudo aquilo que é bom e nos dá o critério para discernir entre o verdadeiro e o falso, entre engano e verdade.

"Devemos dar um fruto que permaneça"

O outro elemento do Evangelho que queria acenar é o discurso de Jesus sobre o dar fruto: "Fui Eu que vos escolhi e vos destinei para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça" (Jo 15, 16). Devemos animar-nos nesta santa inquietação: a inquietação de levar a todos o dom da fé, da amizade com Cristo. Recebemos a fé para a dar a outros, somos sacerdotes para servir outros. E devemos dar um fruto que permaneça.

O fruto que permanece é aquilo que semeamos nas almas humanas - o amor, o conhecimento, o gesto capaz de tocar o coração, a palavra que abre a alma à alegria do Senhor.

Nesta hora, sobretudo, rezemos com insistência ao Senhor, para que depois do grande dom do Papa João Paulo II, nos dê novamente um Pastor segundo o seu coração, um Pastor que nos leve ao conhecimento de Cristo, ao seu amor, à verdadeira alegria. Amém

(Revista Arautos do Evangelho, Maio/2005, n. 41, p. 12 à 19)

BIOGRAFIA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI

O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de Abril de 1927 (Sábado Santo), e foi baptizado no mesmo dia. O seu pai, comissário da polícia, provinha duma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições económicas. A sua mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar trabalhara como cozinheira em vários hotéis.

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Passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilómetros de Salisburgo. Foi neste ambiente, por ele próprio definido «mozarteano», que recebeu a sua formação cristã, humana e cultural.

O período da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família prepararam-no para enfrentar a dura experiência daqueles tempos, em que o regime nazista mantinha um clima de grande hostilidade contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazistas açoitarem o pároco antes da celebração da Santa Missa.

Precisamente nesta complexa situação, descobriu a beleza e a verdade da fé em Cristo; fundamental para ele foi a conduta da sua família, que sempre deu um claro testemunho de bondade e esperança, radicada numa conscienciosa pertença à Igreja.

Nos últimos meses da II Guerra Mundial, foi arrolado nos serviços auxiliares anti-aéreos.

Recebeu a Ordenação Sacerdotal em 29 de Junho de 1951.

Um ano depois, começou a sua actividade de professor na Escola Superior de Freising.

No ano de 1953, doutorou-se em teologia com a tese «Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho». Passados quatro anos, sob a direcção do conhecido professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, conseguiu a habilitação para a docência com uma dissertação sobre «A teologia da história em São Boaventura».

Depois de desempenhar o cargo de professor de teologia dogmática e fundamental na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, continuou a docência em Bonn, de 1959 a 1963; em Münster, de 1963 a 1966; e em Tubinga, de 1966 a 1969. A partir deste ano de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde ocupou também o cargo de Vice-Reitor da Universidade.

De 1962 a 1965, prestou um notável contributo ao Concílio Vaticano II como «perito»; viera como consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colónia.

A sua intensa actividade científica levou-o a desempenhar importantes cargos ao serviço da Conferência Episcopal Alemã e na Comissão Teológica Internacional.

Em 25 de Março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de München e Freising. A 28 de Maio seguinte, recebeu a sagração episcopal. Foi o primeiro sacerdote diocesano, depois de oitenta anos, que assumiu o governo pastoral da grande arquidiocese bávara. Escolheu como lema episcopal: «Colaborador da verdade»; assim o explicou ele mesmo: «Parecia-me, por um lado, encontrar nele a ligação entre a tarefa anterior de professor e a minha nova missão; o que estava em jogo, e continua a estar - embora com modalidades diferentes -, é seguir a verdade, estar ao seu serviço. E, por outro, escolhi este lema porque, no mundo actual, omite-se quase totalmente o tema da verdade, parecendo algo demasiado grande para o homem; e, todavia, tudo se desmorona se falta a verdade».

Paulo VI criou-o Cardeal, do título presbiteral de "Santa Maria da Consolação no Tiburtino", no Consistório de 27 de Junho desse mesmo ano.

Em 1978, participou no Conclave, celebrado de 25 a 26 de Agosto, que elegeu João Paulo I; este nomeou-o seu Enviado especial ao III Congresso Mariológico Internacional que teve lugar em Guayaquil (Equador) de 16 a 24 de Setembro. No mês de Outubro desse mesmo ano, participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.

Foi Relator na V Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos realizada em 1980, que tinha como tema «Missão da família cristã no mundo contemporâneo», e Presidente Delegado da VI Assembleia Geral Ordinária, celebrada em 1983, sobre «A reconciliação e a penitência na missão da Igreja».

João Paulo II nomeou-o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de Novembro de 1981. No dia 15 de Fevereiro de 1982, renunciou ao governo pastoral da arquidiocese de München e Freising. O Papa elevou-o à Ordem dos Bispos, atribuindo-lhe a sede suburbicária de Velletri-Segni, em 5 de Abril de 1993.

Foi Presidente da Comissão encarregada da preparação do Catecismo da Igreja Católica, a qual, após seis anos de trabalho (1986-1992), apresentou ao Santo Padre o novo Catecismo.

A 6 de Novembro de 1998, o Santo Padre aprovou a eleição do Cardeal Ratzinger para Vice-Decano do Colégio Cardinalício, realizada pelos Cardeais da Ordem dos Bispos. E, no dia 30 de Novembro de 2002, aprovou a sua eleição para Decano; com este cargo, foi-lhe atribuída também a sede suburbicária de Óstia.

Em 1999, foi como Enviado especial do Papa às celebrações pelo XII centenário da criação da diocese de Paderborn, Alemanha, que tiveram lugar a 3 de Janeiro.

Desde 13 de Novembro de 2000, era Membro honorário da Academia Pontifícia das Ciências.

Na Cúria Romana, foi Membro do Conselho da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados; das Congregações para as Igrejas Orientais, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para os Bispos, para a Evangelização dos Povos, para a Educação Católica, para o Clero, e para as Causas dos Santos; dos Conselhos Pontifícios para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e para a Cultura; do Tribunal Supremo da Signatura Apostólica; e das Comissões Pontifícias para a América Latina, «Ecclesia Dei», para a Interpretação Autêntica do Código de Direito Canónico, e para a revisão do Código de Direito Canónico Oriental.

Entre as suas numerosas publicações, ocupam lugar de destaque o livro «Introdução ao Cristianismo», uma compilação de Papa Bentto XVI.jpglições universitárias publicadas em 1968 sobre a profissão de fé apostólica, e o livro «Dogma e Revelação» (1973), uma antologia de ensaios, homilias e meditações, dedicadas à pastoral.

Grande ressonância teve a conferência que pronunciou perante a Academia Católica Bávara sobre o tema «Por que continuo ainda na Igreja?»; com a sua habitual clareza, afirmou então: «Só na Igreja é possível ser cristão, não ao lado da Igreja».

No decurso dos anos, continuou abundante a série das suas publicações, constituindo um ponto de referência para muitas pessoas, especialmente para os que queriam entrar em profundidade no estudo da teologia. Em 1985 publicou o livro-entrevista «Relatório sobre a Fé» e, em 1996, «O sal da terra». E, por ocasião do seu septuagésimo aniversário, publicou o livro «Na escola da verdade», onde aparecem ilustrados vários aspectos da sua personalidade e da sua obra por diversos autores.

Recebeu numerosos doutoramentos «honoris causa»: pelo College of St. Thomas em St. Paul (Minnesota, Estados Unidos), em 1984; pela Universidade Católica de Eichstätt, em 1987; pela Universidade Católica de Lima, em 1986; pela Universidade Católica de Lublin, em 1988; pela Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), em 1998; pela Livre Universidade Maria Santíssima Assunta (LUMSA, Roma), em 1999; pela Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw (Polónia) no ano 2000.


A  Igreja é imaculada e indefectível


A Igreja é imaculada e indefectível

Mons. Sr. João Clá Dias

Após cada campanha de ataques contra ela, a Igreja sempre aparece mais forte e esplendorosa do que antes

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

A saraivada de notícias que, nas últimas semanas, tenta macular a Igreja Católica, tomando por motivo abusos de crianças cometidos por parte de sacerdotes católicos, atinge um clímax inacreditável.

Decididos a não deixar morrer a fogueira que acenderam, vários órgãos de comunicação social têm se dedicado a investigar o passado, à procura de novas alegações que envolvam o Vigário de Cristo na Terra, o Papa Bento XVI, no que, aliás, têm falhado rotundamente.

Que haja padres despreparados e indignos, ninguém o pode negar; que abusos horríveis foram cometidos, e certamente até em número superior ao registrado, é preciso reconhecer. Mas utilizar falhas gravíssimas, mas circunstanciais, relativas a uma minoria de clérigos, para enxovalhar toda a classe sacerdotal é uma injustiça. E usar isso como pretexto para tentar derrubar a Igreja é diabólico.

Aliás, quanto mais o espírito libertário, relativista e neopagão de nossa época se infiltra na Igreja, tanto mais é de temer que aconteçam crimes de pedofilia. Daí mesmo a necessidade de implantar nos seminários um sistema rigoroso de seleção, de modo a só admitir como candidato ao sacerdócio quem não tenha a propensão de pactuar com o mundo, mas queira ensinar a prática da doutrina católica em toda a sua pureza e dar o exemplo.

A atual campanha publicitária contra a Igreja faz-nos esquecer uma verdade da qual a história nos dá um inequívoco testemunho: foi a Igreja Católica que livrou o mundo da imoralidade, e é porque está rejeitando a Igreja que o mundo tem afundado novamente no lodo do qual foi resgatado.


A bela história do Apóstolo Paulo

A bela história do Apóstolo Paulo

Ego Sum

Ego Sum

A Igreja é imaculada e indefectível

A Igreja é imaculada e indefectível

A Iluminação da Fé

O olho da nossa alma é a inteligência, e sua iluminação vem da fé, se tal olho não estiver velado pelo pano do amor-próprio ou egoísmo. Quando o egoísmo é afastado, nossa inteligência torna-se limpa e conhece. Desperta a afeição da alma, que começa a amar seu benfeitor. Impulsionado pelo amor, o pensamento se abre e contempla o objeto, que é Cristo crucificado. A alma compreende, sobretudo no precioso sangue, o abismo do seu infinito amor.

(Santa Catarina de Sena, epístola 51. Ed. Paulus)

Mons. João Clá Dias recebe a medalha Pro Ecclesia et Pontifice

A medalha "Pro Ecclesia et Pontifice", uma das mais altas honrarias concedidas pelo Papa àqueles que se distinguiram por sua atuação em favor da Igreja e do Romano Pontífice, foi entregue pelo Emmo. Cardeal D. Franc Rodé a Mons. João Scognamiglio Clá Dias, numa solene celebração Eucarística, no dia 15 de agosto, na igreja de Nossa Senhora do Rosário, do seminário dos Arautos do Evangelho, localizada na Grande São Paulo.

Mons. João S. Clá Dias é fundador dos Arautos do Evangelho e de duas Sociedades de Vida Apostólica, uma clerical e outra feminina, Virgo Flos Carmeli e Regina Virginum, respectivamente.

No ato de entrega da medalha, por ocasião do 70º aniversário de Mons. João Clá, o Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica destacou os méritos do homenageado, recordando as palavras de São Bernardo de Claraval: “No momento de vos entregar a condecoração com a qual o Santo Padre quis premiar vossos méritos, vêm-me à mente as palavras de São Bernardo, no início de seu tratado"
De laude novae militiae: "Faz algum tempo que se difunde a notícia de que um novo gênero de cavalaria apareceu no mundo" . Estas palavras podem ser aplicadas ao momento presente. Com efeito, uma nova cavalaria nasceu, graças a Vossa Excelência, não secular, mas religiosa, com um novo ideal de santidade e um heróico empenho pela Igreja.

“Neste empreendimento, nascido em vosso nobre coração, não podemos deixar de ver uma graça particular dada à Igreja, um ato da Divina Providência em vista das necessidades do mundo de hoje.”

Ao agradecer a prestigiosa condecoração com que o Santo Padre o quis agraciar, Mons. João S. Clá Dias ressaltou o brilhante papel do Cardeal D. Franc Rodé na direção do dicastério romano que lhe está confiado e as preciosas orientações que levaram à aprovação pontifícia das duas Sociedades de Vida apostólica: Regina Virginum e Virgo Flos Carmeli. Mas, sobretudo, quis expressar os sentimentos de filial adesão ao Santo Padre que palpitam no coração de todos os membros do movimento dos Arautos do Evangelho, fazendo suas as palavras de um insigne líder católico brasileiro do século XX, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: “Tudo quanto na Igreja há de santidade, de autorida de, de virtude sobrenatural, tudo isto, mas absolutamente tudo sem exceção, nem condição, nem restrição, está subordinado, condicionado, dependente da união à Cátedra de São Pedro. (...)” Por isto, é sinal de condição de vigor espiritual, uma extrema susceptibilidade, uma vibratilidade delicadíssima e vivaz dos fiéis por tudo quanto diga respeito à segurança, glória e tranqüilidade do Romano Pontífice. Depois do amor a Deus, é este o mais alto dos amores que a Religião nos ensina. Um e outro amor se confundem até. (...) E nós podemos dizer: “para nós, entre o Papa e Jesus Cristo não há diferença”. Tudo o que diga respeito ao Papa diz respeito, direta, íntima, indissoluvelmente, a Jesus Cristo”.
No dia anterior, 14 de agosto, o ilustre visitante inaugurou com um celebração eucarística a igreja de Nossa Senhora do Carmo, localizada na Casa-Mãe da Sociedade de Vida Apostólica feminina Regina Virginum.
Veja o vídeo da cerimônia no site TV Arautos, clique aqui

Glórias e títulos do Santíssimo Rosário

“É o Santo Rosário, pelo que nele se medita, o resumo dos mistérios, a arca santa do Novo Testamento, onde se ocultam as Tábuas da Lei da graça!

É o órgão que alegra os Céus, a cítara a cujo compasso canta a Igreja, o instrumento de guerra que fere de morte o demônio, a escada mística pela qual os verdadeiros devotos de Maria vêem a Deus face a face, fazendo coro com os Anjos!

É a árvore frondosa em cuja sombra os seus devotos dos ardores se abrigam, das intempéries da vida e cujos ramos se estendem até aos confins da terra.

É ele como o carro de Salomão, em cujo teto se achava pintada a história do seu amor; e como a pedra, na qual mandou Deus esculpir a Cidade de Jerusalém, habitada pelos babilônios.

Enfim, é o Rosário a devoção principal com que honramos a Santíssima Virgem; de maneira que assim como o Salvador respondeu ao Doutor da lei que o maior mandamento era amar a Deus sobre todas as coisas, assim também, digamos com muitos Santos Padres que a maior veneração a Maria é o recitar-se e meditar-se em seu Santíssimo Rosário.

Sim, recitando o Rosário confessamos que Maria se achou, por uma graça especial, toda formosa aos olhos do Altíssimo, desde o instante de sua Conceição, e ser Ela a Bendita entre todas as mulheres.”

Pe. José M. S. Bittencourt, O mês de Outubro, pp. 213, 214

Salve Maria!

A Associação Católica Nossa Senhora de Fátima está realizando no mês de maio uma grande campanha de divulgação da Mensagem de Fátima. Trata-se da distribuição gratuita por todo o Brasil do DVD “Nossa Senhora de Fátima: o Meu Imaculado Coração Triunfará!”...

Você pode receber de graça um belo DVD sobre a Mensagem de Fátima.

Preencha agora mesmo o formulário para você receber de graça esse lindo DVD. Essa promoção é válida enquanto durarem os nossos estoques.

Que Deus lhe abençoe.
Em Jesus e Maria
Padre Lourenço Ferronatto.

Hino às Santas Chagas do Senhor

A devoção às Chagas de Jesus Cristo, sinais amorosos de seu martírio e, posteriormente, de sua glorificação, aperfeiçoam em nós a gratidão, que leva a pagar amor com amor, até o holocausto total, por Deus e pelos irmãos.

Adoremo-las profunda e devotamente nesta Semana Santa.


Cinco fontes de graças infinitas,
Ó Chagas, cheias de alta formosura,
Aceitai a tensão humilde e pura
Das palavras que digo e tenho ditas.

E quantas na minha alma têm escritas
Mil culpas feias, com mão feia e dura,
Curai com vossa graça e com brandura,
Ó Chagas d'meu Senhor, Chagas benditas.

No sacro Sangue que de Vós correu
Se cure; e lave e gaste e purifique
As nódoas que com dor nelas estou vendo.

Por vós, que belas sois, formosa fique,
Por vós resplandecente entre no Céu,
Onde vos veja estar resplandecendo.

(Liturgia das Horas, festa das Cinco Chagas:
Hino do Ofício das Leituras)

Paixão de Cristo segundo São João

Neste vídeo remontaremos à primeira parte da Paixão de Cristo, no musical das "Sete palavras" de Heinrich Schüts, interpretada pelo Coro e Banda Internacional dos Arautos do Evangelho. Trata-se das últimas sete frases ditas por Nosso Senhor Jesus Cristo, na voz de Mons. João S. Clá Dias. A história terá sua continuidade ao longo da semana até o Domingo da Páscoa da Ressurreição.

Para ver os outros vídeos, acesse o site da TV Arautos.

Papa propõe Quaresma de Conversão

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009 - Ao presidir nesta quarta-feira o rito das cinzas, Bento XVI iniciou a Quaresma fazendo um convite à conversão.

E para isso propôs viver estes quarenta dias que preparam para a paixão, morte e ressurreição de Jesus em permanente escuta da Palavra de Deus.

O rito começou às 16h30, na igreja de Santo Anselmo, no Monte Aventino de Roma, com um momento de oração, seguido pela procissão penitencial à basílica de Santa Sabina.

Na procissão, participaram cardeais, bispos, monges beneditinos de Santo Anselmo, padres dominicanos de Santa Sabina e fiéis.

Ao final da procissão, na basílica de Santa Sabina, o Santo Padre presidiu a celebração eucarística na qual, como um fiel, recebeu a imposição das cinzas.

Na homilia, animou os presentes a receberem «as cinzas sobre a cabeça como sinal de conversão e de penitência», abrindo «o coração à ação vivificante da Palavra de Deus».

«Que a Quaresma, caracterizada por uma escuta cada vez mais frequente da Palavra, por uma oração mais intensa e por um estilo de vida austero e penitencial, seja estímulo para a conversão e para o amor sincero aos irmãos, especialmente os mais pobres e necessitados», exortou.

Mas, «como é possível vencer na luta entre a carne e o espírito, entre o bem e o mal, luta que marca a nossa existência?», perguntou-se o Santo Padre.

Ele respondeu sugerindo o exercício de escuta da Palavra de Deus e citando precisamente a passagem evangélica da liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que indicava três meios fundamentais: «a oração, a esmola e o jejum».

Fonte: ZENIT.org

Sobre o inferno e a eternidade das Penas

Sobre o inferno

O inferno é um local destinado pela Justiça divina para castigar com suplícios eternos os que morrem em pecado mortal. A primeira pena que os condenados padecem no Inferno é a dos sentidos, por ser todo o seu corpo atormentado por um fogo que arde horrivelmente sem jamais diminuir. Esse fogo penetrará pelos olhos, pela boca e por todo o corpo, e cada um dos sentidos padecerá uma pena especial.
Os olhos ficarão obscurecidos pelo fumo e pelas trevas, e aterrorizados ao ver os demônios e os demais condenados. Os ouvidos não ouvirão incessantemente senão gritos, uivos, prantos e blasfêmias. O olfato será atormentado com o mau cheiro do enxofre e betume ardentes, que o sufocará. A boca sofrerá sede ardentíssima e padecerá uma fome canina: "Sofrerão fome como cães" (Sl 58,7; 15).
Deus permitiu que o rico Epulão, em meio aqueles tormentos, dirigisse um olhar a Lázaro, pedindo por misericórdia uma gota de água para aliviar o ardor que o consumia; mas até esta lhe foi negada.
Aqueles infelizes, em meio às chamas, devorados pela fome e sede, atormentados por um fogo que não cessa, bradam, uivam e se desesperam. Ah! inferno, inferno, como são desgraçados os que caem nos teus abismos!
E tu, meu filho, que dizes?
Se tivesses que morrer neste momento, para onde irias?
Se não podes suportar agora, sem gritar de dor, a ligeira chama de uma vela na mão, como poderás sofrer aquelas chamas por toda a eternidade?
Considera por outro lado, meu filho, o remorso que sentirá a consciência dos condenados. Sua memória, entendimento e vontade padecerão terrivelmente tormentos. Recordarão continuamente o motivo porque se perderam, isto é, por terem querido satisfazer uma paixão qualquer, e esse pensamento será para eles um verme roedor que jamais morrerá.
Pensarão no tempo que Deus lhe tinha concedido para salvar‑se da perdição; nos bons exemplos de seus companheiros; nos propósitos formados e não postos em prática. Pensarão nas pregações ouvidas, nos conselhos de seus confessores, nas boas inspirações para deixar o pecado... E, vendo que já não há remédio, lançarão uivos desesperados.
A vontade jamais terá nada do que deseja, sofrendo pelo contrário todos os males. O entendimento conhecerá o bem imenso que perdeu. A alma, separada do corpo e apresentada diante do divino tribunal, entreviu a beleza de Deus, conheceu sua bondade, contemplou por um instante o esplendor do Paraíso, terá ouvido talvez os dulcíssimos e harmoniosos cantos dos Anjos e Bem‑aventurados.
Que dor, vendo que tudo isso lhe é arrebatado para sempre!
Que horrorosos tormentos! Quem poderá suportá‑los?
Meu filho que agora não te preocupas em perder a Deus e o Paraíso!
Esperas por acaso conhecer tua cegueira, quando tantos companheiros teus, mais ignorantes e mais pobres do que tu, estiverem gloriosos e triunfantes no Reino dos Céus, e tu estiveres maldito por Deus e arrojado fora daquela pátria bem‑aventurada, do gozo de Deus, da companhia da Virgem Santíssima e dos Santos?
Decide‑te, pois, a servir ao Senhor, e faz penitência. Não aguardes para quando não haja mais tempo. Entrega‑te a Deus. Quem sabe se esta meditação não será o teu último chamado da graça!
Se não correspondes a Ele, tu te expõe a que Deus te abandone e te deixe cair nos eternos suplícios. Ah! Senhor, livrai‑me das penas do inferno!

A eternidade das penas

Considera, meu filho, que se caíres no inferno, dele jamais saíras. Nele se padecem todas as penas, e todas elas para sempre.
Passarão cem anos, mil anos, e o inferno estará apenas começando; passarão cem mil anos, cem milhões de anos, milhões de milhões de anos e de séculos... e o inferno estará ainda apenas começando.
Se um Anjo anunciasse a um condenado que Deus haveria de livrá‑lo do inferno depois de passar tantos milhões de séculos como gotas de água que há no mar, ou folhas de árvores e grãos de areia no mundo, essa notícia lhe causaria logo um consolo indizível. "É certo, exclamaria, que é imenso o número de séculos que sofrerei, afinal, haverá um dia em que eles acabarão". Mas, aí passarão esses milhões de séculos e uma infinidade de outros, e o inferno estará sempre apenas começando.
Cada condenado quereria poder dizer a Deus: "Senhor, aumentai quanto quiserdes minhas penas, e fazei‑me permanecer aqui o tempo que quiserdes, contanto que me deis a esperança de ver este suplício acabar um dia!" Mas não! Esse término e essa esperança jamais chegarão.
Se ao menos o condenado pudesse iludir‑se a si mesmo, pensando consigo: "Quem sabe se Deus algum dia terá piedade de mim e me tirará deste abismo!" Mas, não! Jamais abrigará esta esperança!
O condenado terá sempre presente a sentença de sua condenação eterna: "Estes tormentos, este fogo, estes horríveis gritos, eu os terei para sempre". Sempre! verá escrito nas chamas que o devoram.
Sempre! Na ponta das espadas que o transpassam;
Sempre! Nas horríveis fisionomias dos demônios que o atormentam;
Sempre! Naquelas portas fechadas que jamais se abrirão para ele!
Ó eternidade, ó abismo sem fundo! Ó mar sem limites! Ó caverna sem saída!
Quem não tremerá pensando em ti? Ó maldito pecado, que tremendos suplícios preparas para quem te comete! Ah! Basta de pecados, basta de pecados em toda a minha vida!
O que deve encher‑te de espanto é pensar que essa horrível fornalha está sempre aberta debaixo de teus pés e que basta um único pecado mortal para cair nela.
Compreendes, meu filho, isto que lês?
Um pecado que cometes com tanta facilidade merece uma pena eterna. Uma blasfêmia, uma profanação dos dias festivos, um furto, um ódio, uma palavra, um ato, um pensamento obsceno, bastam para condenar‑te às penas do Inferno.
Ah! meu filho, ouve atentamente o meu conselho: se a consciência te censura de algum pecado, vai imediatamente confessar‑te para principiar logo uma boa vida; põe em prática todos os conselhos do teu confessor e se for necessário faz uma confissão geral; promete fugir das ocasiões perigosas, das más companhias, e se Deus te chamar a deixar o mundo, obedece‑Lhe com prontidão.
Tudo o que se faz para evitar uma eternidade de tormentos é pouco, é nada: "nenhuma segurança é excessiva quando está em jogo a eternidade", escreveu São Bernardo.
Oh! quantos jovens na flor da idade abandonaram o mundo, a pátria, a família e foram sepultar‑se nas grutas e desertos, não vivendo senão de pão e água, às vezes só de algumas raízes!... E tudo isso para evitarem o inferno!
E tu, o que fazes, depois de merecer tantas vezes o inferno pelo pecado?
Lança‑te aos pés de teu Deus e diz a Ele: "Senhor, vede‑me pronto a fazer tudo o que quiserdes. Já Vos ofendi demais até agora; de hoje em diante não Vos quero mais ofender; enviai‑me, se preciso, todos os males nesta vida, desde que possa salvar minha alma".

Fonte: São João Bosco. O jovem instruído na prática de seus deveres.
Lisboa: Escola Typographica das Officinas de São José, 1901.

Os Falsos Devotos e as Falsas Devoções à Santíssima Virgem

Segundo São Luís Maria Grignion de Monfort, são sete os falsos devotos de Maria:


1. OS DEVOTOS CRÍTICOS

Os devotos críticos são, em geral, sábios orgulhosos, espíritos fortes e presumidos, que têm no fundo uma certa devoção à Santíssima Virgem, mas que vivem criticando as práticas de devoção que a gente simples de boa - fé e santamente a esta boa Mãe, pelo fato de estas devoções não agradarem à sua culta fantasia.

Põem em dúvida todos milagres e histórias narrados por autores dignos de fé, ou inseridos em crônicas de ordem religiosas, atestando as misericórdias e o poder da Santíssima Virgem. Repugna-lhes ver pessoas simples e humildes ajoelhadas diante de um altar ou de uma imagem da Virgem, às vezes no recanto de uma rua, rezando a Deus; chegam a acusá-las de idolatria, como se estivessem adorando a pedra ou a madeira. Dizem que, de sua parte, não apreciam essas devoções exteriores e que seu espírito não é tão fraco que vá dar fé a tantos contos e historietas que se atribuem à Santíssima Virgem. Quando alguém lhes repete os louvores admiráveis que os Santos Padres dão à Santíssima Virgem, respondem que são flores de retórica, ou exagero, que aqueles escritores eram oradores; ou dão, então, uma explicação má daquelas palavras.

Esta espécie de falsos devotos e orgulhosos e mundanos é muito para temer, e eles causam um mal infinito à devoção à Santíssima Virgem, dela afastando eficazmente o povo, sob pretexto de destruir-lhe os abusos.